sexta-feira, 8 de março de 2013

MP do Ceará recebe denúncia sobre conteúdo homofóbico em apostila

ABGLT denuncia conteúdo homofóbico em apostila de escola de Fortaleza (Foto: ABGLT/Divulgação)

O procurador de Justiça do Ministério Público do Ceará, José Valdo Silva, recebeu a denúncia da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) sobre um conteúdo considerado homofóbico em uma apostila adotada no 3° ano do Ensino Médio da Colégio Farias Brito, em Fortaleza. Segundo o MP-CE, a denúncia foi
encaminhada para as promotorias de educação nesta quarta-feira (6). O promotor que vai receber o caso deve ser definido por meio de uma distribuição na quinta-feira (7).
De acordo com o secretário de Educação da ABGLT, Toni Reis, a organização recebeu por e-mail uma denúncia de um aluno do 3° ano da instituição de Fortaleza com uma imagem em anexo de uma página da disciplina de Física do livro didático. Em uma lição sobre prótons e elétrons, as figuras utilizadas para ilustrar repulsão e atração são bonecos do sexo masculino e feminino. Os desenhos com duas meninas e com dois meninos ilustram exemplos de repulsão. Para representar a atração, o desenho é de um menino e de uma menina.
“Isso retrata, sim, um tipo de homofobia, um tipo de violência que os sujeitos LGBT sofrem dentro da escola”, afirma Deidiane Souza, diretora para o Nordeste da ABGLT. A identidade do estudante não foi revelada pela associação. Para Deidiane, a denúncia do estudante teve muito importância. “Esse material não é correto. O hábito de denunciar é de extrema importância ainda mais quando se trata de um lugar de conhecimento”.
Para o diretor da escola, Tales de Sá Cavalcante, o conteúdo do material didático não é homofóbico e a denúncia pode ter partido da “concorrência desleal”. A escola é uma das maiores do estado e apresenta bons resultados de aprovação em vestibulares.
“O professor que fez a ilustração utilizou duas crianças ingênuas para facilitar a compreensão. Estamos saindo de uma semana de muito destaque, isso desagrada a concorrência. Em nossa escola, jamais tiveram manifestações homofóbicas. Temos alunos homossexuais, pais homossexuais e funcionários homossexuais", diz Tales.
Segundo o diretor, o material didático do Farias Brito já foi utilizado em anos anteriores e é adotado em outras escolas conveniadas. "Disseram que o material é de um estudante do 3º ano, mas no Farias Brito só o utilizamos no intensivo. Checamos com todos os nosso conveniados, em nenhuma (escola) teve isso", afirma. A escola disse que está investigando o caso.
Gabriela Alves e Diana VasconcelosDo G1 CE



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